Por uma Poesia da Luz

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Image: Chris H. Lynn –  www.framingsounds.com


Olhos da alma bem abertos:

Vejo o meu sol interno que anuncia a água do corpo, o brilho das águas dos mares, a energia da Terra.

Vejo um mar meditativo sob ondas mentais diversas no calor do dia; são os inexoráveis ciclos da vida.

Enraizada estou.

Corro à deriva através das cores pulsantes da aurora do dia, sinto na face o vento que me leva de um lado para o outro, toco o solo suave, constante.

Vejo as minhas pegadas coloridas desaparecerem para surgirem outras rotas, novas trilhas, muitas e muitas paisagens e mais.

Nada se repete.

Me incorporo ao ambiente ao redor e a identidade se esvai na fusão de todas as formas de vidas ainda muito vivas, dos ancestrais, de cada um de nós, dos elementos que compõem o Todo Manifesto.

O mar adiante não mente: a luz brilha e nos incita à contemplação do efêmero.

[E o Cosmos se move dentro de nós].

 

 

 

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Fragments of Existence


Very very slowly, living in different mental states… going on beyond expectations… allowing yourself to be surprised in a continuous and endless path…

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Changes going on

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“The powerful and authoritative figure in this card is clearly the master of his own destiny. On his shoulder is an emblem of the sun, and the torch he holds in his right hand symbolizes the light of his own hard-won truth. Whether he is wealthy or poor, the Rebel is really an emperor because he has broken the chains of society’s repressive conditioning and opinions. He has formed himself by embracing all the colors of the rainbow, emerging from the dark and formless roots of his unconscious past and growing wings to fly into the sky. His very way of being is rebellious–not because he is fighting against anybody or anything, but because he has discovered his own true nature and is determined to live in accordance with it. The eagle is his spirit animal, a messenger between earth and sky. The Rebel challenges us to be courageous enough to take responsibility for who we are and to live our truth.
The Rebellious man is the greater stranger in the world; he does not seem to belong to anybody; no organizations confines him; no society; no nation.”


From Tarô Zen Osho this day.

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Despertar


Mergulhar num novo ciclo nascente no bojo da destruição das camadas entrelaçadas feitas de sonhos…
Estrela do meu caminho indicando a direção do vôo que segue a própria direção dos ventos que levam, conduzem ao desejo de simplesmente ser.

Na certeza de um mundo ainda a ser descoberto;
Na ânsia por ser um com a Totalidade;
O mundo que se desfaz e se revela;
Na lucidez da vida que pulsa que grita e declara: TU ÉS INFINITA CONSCIÊNCIA.

Na suavidade do movimento de um olhar atento,
A leveza de uma existência sutil,
Na fluidez de um arco de luz entre sombras
Numa escrita feita de sensações.

[A corrida mudou de direção]

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A Couple of Legs

couple of bikers

Broken heart for another side, another sight,
another bike falling from my being
into his long and strong legs…

Maybe it was his sweet eyes,
his pure love for life,
his sensual body moving through the road…

Maybe it was a genuine feeling for a handsome and young guy,
for a delirious way of looking around
with his security on himself when biking along the path…

Maybe it was a delicious sensing of illusion, for a dream made of cycling
miles and miles where there are not limits nor fears or tears,
– where dreams come true.

[Broken heart
broken present
broken future
when the past is only a kind of painful memory].

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Vida e Movimento

light central park

Parque Central – Santo André, São Paulo. Junho de 2017. Foto: Ana Villas Boas 


Apressa-te a viver bem e pensa que cada dia é, por si só, uma vida. (Seneca)

Correr pelas manhãs de final de outono e início do inverno no hemisfério sul tem sido a minha jornada neste mês de junho. A noite que persiste no horário que avança sobre o alarme que toca sem engano.

Correr neste período exige de mim um esforço maior para simplesmente sair. Sair da cama, sair de casa, sair de mim, de meu corpo físico e limitado e transcender essas esferas menos elevadas mas que me conduzem ao maravilhamento.

Correr assim é para mim a oportunidade de sentir o meu corpo esquentando, mesmo com as dores dos pés persistindo, o enrijecimento do corpo pedindo alongamento.

Correr os 3, 4 quilômetros iniciais são o inferno necessário para ascender à luz, àquela luz que surge ali, de repente, entre as árvores cujas folhagens mudam de cor, entre os sons de inúmeros pássaros que ali habitam e que sentem, em seus frágeis corpos, a luz do sol brilhando.

Correr alguns outros quilômetros a mais bastam para despertar em mim a harmonia do ser, a sensação de ressonância com o universo, me sentindo parte de tudo o que existe ao meu redor, parte de cada ser que resiste mesmo em meio às adversidades inerente à vida.

Correr finalmente se torna na mais bela experiência que tenho em meu dia a dia, em meio às atribulações, entre sentimentos opostos que invadem o meu coração, que me confundem, que me deixam sem reação.

Correr é viver a plenitude do meu ser, é a alegria que sinto por simplesmente viver, viver bem, em mim, em todos, em tudo. Viver em sintonia com um mundo muito bonito e que pede apenas alguns instantes para se revelar…

 

 

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A corrida que resiste em mim

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O corpo é profusão do sensível

~ David Le Breton em “A Antropologia dos Sentidos”

Percorro a “cidade luz” num dia que amanhece 5 horas adiante de mim;
Sigo a rota que liga continentes distantes num eterno retorno em direção ao que persiste se unir;
O meu passado ali reside onde existe o meu presente e prepara terreno para o meu futuro que já aconteceu:

Foram aquelas 26 milhas que me fizeram assim:

[custaram cada gota de meu sangue, cada célula de meu corpo, cada inspirar e expirar cuidadosamente distribuídos naquelas 4 horas em que estive no movimento feito da natureza do meu ser: correr]

Sinto sob os meus pés o som dos meus antepassados;
Sinto no ar o mesmo ar daqueles que ali um dia respiraram;
Sinto na pele o arrepio do espírito que se aproxima, que suspira, que sussurra, que me toca;
Sinto o tempo circular, o tempo repetido, o tempo dimensão, o tempo iludido;
Sinto e sei que o tempo não existe.

Existe sim o fluxo, o contínuo, o passo a passo, a cada momento entrelaçado, enredado, conectado numa malha tecida por fios contendo ali eu, ela, ele, enfim.

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