Unidade Cíclica

Tao


Na busca do conhecimento, todos os dias algo é adquirido,
Na busca do tao, todos os dias algo é deixado para trás.

E cada vez menos é feito
até se atingir a perfeita não-ação.
Quando nada é feito, nada fica por fazer.

Domina-se o mundo deixando as coisas seguirem o seu curso.
E não interferindo.

Tao Te Ching (道德經), Cap. 48


Quando se vive sem sentir que há começo, meio ou fim, 

é um viver cíclico, como os antigos concebiam o tempo. 

A história que parece confusa, é então, difusa

numa trama de fios de seda, finos finos finos.

[que sacrificam mariposas 

que furam os olhos da serpente 

que decapitam a bela que sorri e sente]

Viver num horário definido por uma lógica inventada 

interferindo nas leis da natureza. 

Uma hora aqui, cinco horas a mais ali

como se dá, então, a realidade?

[se lá já aconteceu, aqui ainda começa o dia 

e lá já é meio dia, aqui é ainda café da manhã

sobre as nuvens, sob as estrelas e planetas e o Sol que brilha]

Existo por qual motivo? 

Milagre manifesto, benção de deuses?

O Céu, a Terra, as Montanhas, os Lagos, os Ventos, os Trovões, o Tempo:

Entre uma coisa e outra, existo. 

Transito entre; na constância de.

Coração pulsa, sangue vibra, lágrimas brotam. 

[E é apenas mais um novo e surpreendente dia]

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Unity


When you live without feeling that there is a beginning, middle or end,

it is a cyclical living, as the ancients conceived of time.

The story that seems confusing is, then, diffuse,

in a web of silk thread, fine thin fine.

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Listening with the feet

 

Prespes, Florina, Greece – July, 2019.


The practice of writing, so vivid long ago,

Today, asleep.

Attempts in vain, even in Portuguese!

The tongue curled.

English? French?

Nothing, nothing.

But, then, what was left for me?

There was silence – and the ears opened!

Extended listening in an augmented reality,

Attentive and dazzled.

In the “Wild Dream” of Prespes.

[Seeing with my ears,

Walking on the waters,

Listenting to the ground,

Crossing a triple border].

I create my own language…


 

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Steps & Consciousness

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My training of today, Londrina, Paraná, Brazil.


A gap between my last writing and my return to the daydreams around the experience of running to beyond physical activity.

After a sabbatical year, recovering from a foot injury, I return to training for a new marathon, with a new body and a new focus.

I bring within me the foundations of the first texts, but with a march less in each step … slow pace, careful redoubled, to continue to run, without limits, step by step, in a mismatch of the frantic life of my day to day.

In the slowness of my movement, I still bring the practice of yoga, tai chi, conscious breaths. I perceive the environment around me more clearly, making my running become a rediscovery of life itself.

In an autobiographical sense, I retake my traces, replay the videos, silence and sounds of Chris Lynn and other inspirational sources as a way to extravasate what exists in a body with an affected sensitivity, that moves from one side to another, in a direction random, running adrift, discovering the path precisely … at every conscious step.

*I am training for my 6th Marathon, in June, Porto Alegre, Brazil. 

 

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Possibilities

Ikaria, Greece. June, 2018.


From very far away, the waves invade foreign territories, talking among themselves:

– What’s beyond the sea?
– The existence does not accept borders. The sky is always the same sky. And the waters, the same waters.

The sky is always available for the slight movement of a flight,
just as the waters are always open for gentle movement on the high seas.
There is no contentment with a little;
only with the vastness and the unknown.

[A little is for the little ones – then, small is your joy, small is your being].

 

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Amor Obsoleto

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René Magritte. The Lovers. Paris, 1928. MoMA


Através de sua alma – especialmente a sua alma, que me serve de espelho – eu enxergo tudo aquilo que eu não quero ser – mas que sou por inteiro.
Através de sua alma eu reconheço o imenso orgulho que carrego junto à minha arrogância, raiva e ignorância sem limites e enxergo, assim, o retrato fiel daquilo que eu mais desprezo.
Através de sua alma – a qual conheci em pleno trânsito de Saturno me trazendo o peso do tempo, da disciplina, da escassez, decrepitude e cortes – eu busco transcender o meu corpo, alcançar as esferas mais elevadas da minha rasa existência, da minha absoluta insignificância frente à vastidão do Cosmos, da perspectiva celestial, das inesgotáveis dimensões ainda não descobertas.
Através de sua nobre alma eu vejo para além dos meus míopes olhos físicos, eu me inspiro, me torno criativa, expansiva, atrevida e mergulho da escuridão profunda do oceano sem medo e sem hesitação.
Através de sua alma eu me volto para dentro de mim mesma, enxergo ainda mais o mais puro amor que reside aqui no meu ser, sinto o amor infinito por mim, por você, por todas as formas de vida do Universo.
Através de sua alma eu reconheço desejos antes inconcebíveis, reconheço o meu corpo, a minha bela alma e também os meus segredos mais secretos.
Através de sua alma eu vislumbro ainda – AINDA! – uma vista ampliada de um horizonte ilimitado, onde a megalomania se transforma, assim, naturalmente, em uma simples forma de vida, ao seu lado.

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Sentimentos Moventes


Lidar com a morte de alguém que ainda está vivo.
A vida, agora, sem alguém que vivia em mim, assim, tão vivo.

Lidar com a vida na lembrança da magia vivida, quando existia essa vida.
Quando em uníssono dizíamos: somos – eu e você – uma só vida!

A vida movida pela exploração das possibilidades infinitas
– que só poderia ser mesmo algo da própria vida.

Lidar com a morte é lidar com a vida mesmo sem ter a vida presente no dia a dia.
Vida morte vida numa constância inaudita.

Lidar com a morte de um sonho é uma vida não vivida.
A vida é, então, reinventada, redirecionada, diante da morte que nem foi anunciada.

Lidar com a vida na dor da perda de uma vida ansiada por uma morte não prenunciada
– por uma vida eterna numa só vida.

Lidar com a morte concreta, com um silêncio que ressoa em ruídos, mesmo em vida.
A vida na imagem… ah, é o sonho de uma outra vida.

Lidar com a morte sem ser avisada.
Lidar com a vida, de repente, recriada.

[Na dor, nova ferida.
Na reabertura, um vão
– de onde a alma escapa]

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