A Jornada


Ao som de seus passos, escuto também ruídos nos traços.
Na trilha, avisto águas altivas, na dignidade de Touro demostrando imponência, beleza, amor, prazeres e conforto no brio.
São apenas as águas de fim da Primavera, fechando a estação, com o anúncio: “Vibrante é a vida”, num movimento perene, em verdes e tons.
Odor ora suave, ora selvagem, um sentido a mais, no toque da folha, na grama, na pedra, na terra nas mãos.
Assim, sigo o seu caminho, na mistura dos sons, dos fios, das linhas que cruzam, que tecem, que desenham o destino num ciclo incessante onde não há começo e nem fim; apenas o fazer, o sentir presente no corpo, o sopro, o brilho da gota de chuva…
… no silêncio de um olhar.

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Life in Flow

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(Image: NASA/ESA)


” If you could see your whole life from start to finish, would you change things?”
(Movie: Arrival)


He is the fulfillment of my wishes, even when I dive into the waves and drown myself;
He is my realized dream, in a complete presence of his existence, in an effort to be himself; he is authentic, idealized, he is my utopia.
He is like an unstoppable cycle of infinite multicolored foam balls exploding in the air;
He is a disaster announced, even widening horizons, leaving me immobilized in front of the wonder of life, he brought me life.
He gave me movement, knowledge and description of the lived through continuous lines;
He showed me many paths, a mesh of walking which is made a blessed life.

So, with his impressive blue eyes, he looked at me and simply said:
– Go, my beautiful. Get your feet off the ground and you will reach the sky, touch the stars.

*Dedicated to Geert Vermeire


Text inspired by:

  • The question in the movie “Arrival”, Dir: Denis Villeneuve, 2016;
  • Tim Ingold’s themes around lines, life, movement on his books “Lines” (2007) and “Being Alive” (2011);
  • Some thoughts about Traditional Astrology principles.
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Sea of Feelings

Ikaria Island – Greece – June, 2018. Photos by Ana Villas Boas 

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Florescimento de um Corpo

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O oscilante sentimento de ternura e desconforto
Quando juntos, na sincronia entre os corpos
Anseiam por se tornarem um.

Profundezas das sensações
Desejo primevo dela; instinto anímico dele
Ambiguidade das intenções: marcas ainda presentes na carne.

Tenso fascínio sem conhecerem completamente os seus próprios corpos
O quê de mim, o quê dela – ele se pergunta
O que é isso entre corpos estanques em movimentos internos das delicadezas da alma?

Um corpo único em expansão.


Referências:

  • Conto de L.H.Gurgel: “O quê de mim”
  • Tarô Zen de Osho
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Movimento Insular

ikaria wordrepress blog

Ikaria, Grécia. Foto de Ana Villas Boas, Junho de 2018.


Sinto o meu corpo contornado e atravessado por camadas e camadas das ações do tempo, no calor suave primaveril, na brisa das curvas das montanhas, entre cabras, gatos, flores perfumadas, enraizadas nas cores das altitudes… estou cercada pela água.

Me indago e me contraio, me movo atenta aos sons difusos, próximos e distantes, na meditação que não acontece e que se estremece através da atenção dispersa, solta no movimento do mar, no delineamento do relevo… solta no nada.

Sinto o todo em mim, em ressonância com o lugar aonde o tempo é um outro tempo, me ressignificando como um novo Ícaro, caindo sobre o solo fértil, de onde emerge a longevidade, a alegria, o sentimento de pertencimento, de coletividade, de esperança e integridade.

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Sensações Concretas

concret

Cine Teatro Carlos Gomes em ruínas. Santo André, São Paulo. Foto: Agnaldo Gonçalves, durante vistoria, em Abril de 2018. 


O mundo manifesto da forma mais nefasta como menos se espera.
O ar que inspiro, expiro para nunca mais respirar.
Resisto.
Insisto nas forças contrárias que não me definem.
As duras manobras do meu ser estrangulado – sem equilíbrio.
O concreto me atinge, a dor me domina, a realidade se apresenta.
O que é importante – pergunto.
A sensação de descanso em meio aos entorpecentes.
O sono, o sonho, o vazio que encontro.
As vozes, os gritos, os risos insanos.
A verdade – o que é a verdade?
A maneira de aprender algo.
Precisa ser assim?
Descanso forçado pela perda da forças do corpo.
As pernas, os pés – nada me obedece.
A mente em seus caminhos, à espreita, sorrateira
Descobre outros caminhos, outro jeito de ser.
Um jeito que faz refletir profundamente.
Pensamentos em ebulição, queimando neurônios sem razão.

[A única razão reside no silêncio].

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Sentido Circular


Ah, dimensões tempo/espaço
Emaranhado de caminhos trilhados
Memória difusa na ordem de um tempo inventado
Quando não há início, meio e nem fim.

Existe, sim, um movimento circular contínuo
Entrelaçamentos e tessituras feitos, desfeitos, refeitos
Sempre de novas maneiras
Em suas infinitas formas, cores, cheiros, sabores e sons.

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