Listening with the feet

 

Prespes, Florina, Greece – July, 2019.


The practice of writing, so vivid long ago,

Today, asleep.

Attempts in vain, even in Portuguese!

The tongue curled.

English? French?

Nothing, nothing.

But, then, what was left for me?

There was silence – and the ears opened!

Extended listening in an augmented reality,

Attentive and dazzled.

In the “Wild Dream” of Prespes.

[Seeing with my ears,

Walking on the waters,

Listenting to the ground,

Crossing a triple border].

I create my own language…


 

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Steps & Consciousness

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My training of today, Londrina, Paraná, Brazil.


A gap between my last writing and my return to the daydreams around the experience of running to beyond physical activity.

After a sabbatical year, recovering from a foot injury, I return to training for a new marathon, with a new body and a new focus.

I bring within me the foundations of the first texts, but with a march less in each step … slow pace, careful redoubled, to continue to run, without limits, step by step, in a mismatch of the frantic life of my day to day.

In the slowness of my movement, I still bring the practice of yoga, tai chi, conscious breaths. I perceive the environment around me more clearly, making my running become a rediscovery of life itself.

In an autobiographical sense, I retake my traces, replay the videos, silence and sounds of Chris Lynn and other inspirational sources as a way to extravasate what exists in a body with an affected sensitivity, that moves from one side to another, in a direction random, running adrift, discovering the path precisely … at every conscious step.

*I am training for my 6th Marathon, in June, Porto Alegre, Brazil. 

 

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Possibilities

Ikaria, Greece. June, 2018.


From very far away, the waves invade foreign territories, talking among themselves:

– What’s beyond the sea?
– The existence does not accept borders. The sky is always the same sky. And the waters, the same waters.

The sky is always available for the slight movement of a flight,
just as the waters are always open for gentle movement on the high seas.
There is no contentment with a little;
only with the vastness and the unknown.

[A little is for the little ones – then, small is your joy, small is your being].

 

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Amor Obsoleto

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René Magritte. The Lovers. Paris, 1928. MoMA


Através de sua alma – especialmente a sua alma, que me serve de espelho – eu enxergo tudo aquilo que eu não quero ser – mas que sou por inteiro.
Através de sua alma eu reconheço o imenso orgulho que carrego junto à minha arrogância, raiva e ignorância sem limites e enxergo, assim, o retrato fiel daquilo que eu mais desprezo.
Através de sua alma – a qual conheci em pleno trânsito de Saturno me trazendo o peso do tempo, da disciplina, da escassez, decrepitude e cortes – eu busco transcender o meu corpo, alcançar as esferas mais elevadas da minha rasa existência, da minha absoluta insignificância frente à vastidão do Cosmos, da perspectiva celestial, das inesgotáveis dimensões ainda não descobertas.
Através de sua nobre alma eu vejo para além dos meus míopes olhos físicos, eu me inspiro, me torno criativa, expansiva, atrevida e mergulho da escuridão profunda do oceano sem medo e sem hesitação.
Através de sua alma eu me volto para dentro de mim mesma, enxergo ainda mais o mais puro amor que reside aqui no meu ser, sinto o amor infinito por mim, por você, por todas as formas de vida do Universo.
Através de sua alma eu reconheço desejos antes inconcebíveis, reconheço o meu corpo, a minha bela alma e também os meus segredos mais secretos.
Através de sua alma eu vislumbro ainda – AINDA! – uma vista ampliada de um horizonte ilimitado, onde a megalomania se transforma, assim, naturalmente, em uma simples forma de vida, ao seu lado.

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Sentimentos Moventes


Lidar com a morte de alguém que ainda está vivo.
A vida, agora, sem alguém que vivia em mim, assim, tão vivo.

Lidar com a vida na lembrança da magia vivida, quando existia essa vida.
Quando em uníssono dizíamos: somos – eu e você – uma só vida!

A vida movida pela exploração das possibilidades infinitas
– que só poderia ser mesmo algo da própria vida.

Lidar com a morte é lidar com a vida mesmo sem ter a vida presente no dia a dia.
Vida morte vida numa constância inaudita.

Lidar com a morte de um sonho é uma vida não vivida.
A vida é, então, reinventada, redirecionada, diante da morte que nem foi anunciada.

Lidar com a vida na dor da perda de uma vida ansiada por uma morte não prenunciada
– por uma vida eterna numa só vida.

Lidar com a morte concreta, com um silêncio que ressoa em ruídos, mesmo em vida.
A vida na imagem… ah, é o sonho de uma outra vida.

Lidar com a morte sem ser avisada.
Lidar com a vida, de repente, recriada.

[Na dor, nova ferida.
Na reabertura, um vão
– de onde a alma escapa]

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Projeções Simbólicas – Parte I

writing


Não são poemas, nem tampouco pretensas declarações de ideias altivas.
Não são nada mais do que sensações expressas, que vem e vão, sem nenhuma pressa,
a todo momento, hermeticamente concentradas sempre num delimitado espaço de tempo.
Espaço e tempo – as grandes questões que me situam nesta existência tão tensa, em permanente resistência diante da inexorabilidade de que tudo flui, de que tudo se transforma, de que nada nunca permanece como antes e nem nunca se repete.
Existência que resiste ao tempo, extrapola localizações geográficas, ilumina lugares, descobre entre os becos das ruas escuras, a luz que guia os rastros dos astros, das estrelas errantes num céu circundante repleto de mistério, irresistíveis encontros, conjuntos aos planetas em suas tão presentes simbologias correspondentes aos eventos da vida terrestre.
“Celeste – Terrestre” se tornou em relação constante numa busca incessante pela compreensão, pela transcendência da matéria, pela alquimia dos elementos compostos entre o céu e a terra.
E os prismas não mentem: no reflexo, as imagens; na simbologia, as interpretações.
“Celeste – Terrestre”, a relação que modela um dia a dia alienante, no desafio de atravessar oceanos, fronteiras, camadas do céu rumo à vastidão do Universo a partir, como sempre, da terra.
Em comunhão com o Cosmos, na simbiose que só há sentido em consonância com o que prescreve, com o que prediz a carta, a hora, o tempo e o local ali registrado.

Só há sentido em consonância com a alma que se vê, de repente, aprisionada num corpo físico.
Só há sentido aquele instante em que os olhos se abrem em consonância com a primeira inspiração, o sentido que reside na harmonia encontrada no contato com o mundo, o prana, o chi, a força que anima, a magia da vida.


 

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Revisitando Pessoa – Parte I

jardim


CONSELHO

Cerca de grandes muros quem te sonhas.
Depois, onde é visível o jardim
Através do portão de grade dada,
Põe quantas flores são as mais risonhas,
Para que te conheçam só assim.
Onde ninguém o vir não ponhas nada.

Faze canteiros como os que outros têm,
Onde os olhares possam entrever
O teu jardim como lho vais mostrar.
Mas onde és teu, e nunca o vê ninguém
Deixa as flores que vêm do chão crescer
E deixa as ervas naturais medrar.

Faze de ti um duplo ser guardado;
E que ninguém, que veja e fite, possa
Saber mais que um jardim de quem tu és —
Um jardim ostensivo e reservado,
Por trás do qual a flor nativa roça
A erva tão pobre que nem tu a vês…

Fernando Pessoa.

in Sudoeste, nº 3. Lisboa: Nov. 1935.

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