A corrida que resiste em mim

Captura de Tela 2017-05-29 às 15.26.58

O corpo é profusão do sensível

~ David Le Breton em “A Antropologia dos Sentidos”

Percorro a “cidade luz” num dia que amanhece 5 horas adiante de mim;
Sigo a rota que liga continentes distantes num eterno retorno em direção ao que persiste se unir;
O meu passado ali reside onde existe o meu presente e prepara terreno para o meu futuro que já aconteceu:

Foram aquelas 26 milhas que me fizeram assim:

[custaram cada gota de meu sangue, cada célula de meu corpo, cada inspirar e expirar cuidadosamente distribuídos naquelas 4 horas em que estive no movimento feito da natureza do meu ser: correr]

Sinto sob os meus pés o som dos meus antepassados;
Sinto no ar o mesmo ar daqueles que ali um dia respiraram;
Sinto na pele o arrepio do espírito que se aproxima, que suspira, que sussurra, que me toca;
Sinto o tempo circular, o tempo repetido, o tempo dimensão, o tempo iludido;
Sinto e sei que o tempo não existe.

Existe sim o fluxo, o contínuo, o passo a passo, a cada momento entrelaçado, enredado, conectado numa malha tecida por fios contendo ali eu, ela, ele, enfim.

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About Ana Villas Boas

I’m an urban sociologist and runner based in São Paulo, Brasil, focused on studies about body movement, landscapes, sounds, silence and senses. My current work has been on cultural heritage and preservation studies and I’m also yoga teacher, certified by Kundalini Research Institute.
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